Esta atividade de Língua Portuguesa tem como base o DC/GO – Ampliado e está destinada a estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental.

Figuras de pensamento: ironia e litote
As figuras de linguagem são recursos estilísticos usados na comunicação humana que visa intensificá-la, de algum modo, indo além do significado literal das palavras. Dessa forma, elas possibilitam que os discursos explorem associações criativas.
As figuras de linguagem são classificadas em quatro grupos: figuras de palavras, de pensamento, de sintaxe e de som.
Estude neste material sobre as figuras de pensamento ironia e litote.
As figuras de pensamento são aquelas que alteram o sentido das palavras ou expressões, criando efeitos de sentido por meio da combinação de ideias e sentimentos.
Ironia
A ironia é uma figura de linguagem muito utilizada no cotidiano. Ela consiste em falar o contrário daquilo que se pretende dizer. Geralmente, o objetivo da ironia é criticar ou zombar de algo ou alguém.
Exemplo:
A limpeza do tênis ficou ótima, Luana. Vá lavar de novo.
(Para dizer que a limpeza do tênis ficou ruim)
Meu Deus! A prova de matemática estava tão fácil, que devo tirar um zero.
(Para dizer que a prova estava difícil)
Litote
Para compreender o significado de litote, convém recordar de outra figura de linguagem, o eufemismo. O eufemismo, basicamente, é a figura que consiste em suavizar uma expressão. Por exemplo, dizer que uma pessoa foi morar no céu ao invés de dizer que ela morreu.
A litote é uma forma de eufemismo, porque suaviza uma expressão. A diferença está no fato dela afirmar algo por meio de uma negação do contrário do que se quer afirmar.
Exemplo:
Ele não é um bom estudante.
(Para dizer que é um péssimo estudante)
Esse bolo não é dos melhores que já comi.
(Para dizer que o bolo é ruim)
Essas duas figuras de pensamento são comumente vistas em textos literários e no dia a dia. Afinal, quem nunca foi irônico e também nunca quis ser deselegante ao expressar uma opinião negativa a respeito de algo, não é mesmo?
Assista à videoaula do professor Marlon Santos com essa temática.
Responda às questões a seguir.
Leia um fragmento do livro “Pai, posso dar um soco nele?”, de José Cláudio da Silva, para responder às questões.
A invasão dos bárbaros
Tudo começou numa quarta-feira quente de janeiro. Era mês de colocar as leituras em dia. Esquecer o mundo lá fora e se embrenhar durante trinta dias no mundo imaginário dos livros!
Brammmm!
A porta da sala bateu violentamente contra a parede. Abriram com uma bomba poderosa: o pontapé. Os bárbaros chegaram.
– Pai, quero jogar videogame!
– Tio, quero Nescau!
– Tio, quero guaraná!
– Pai, quero bolacha!
Todas falavam ao mesmo tempo. Exigindo seus direitos. Eram seis anjinhos: Daniel e André, filhos. Maurício, Vinícius, Lucas, Mayra, a única menina bárbara, sobrinhos.
– Mães irresponsáveis. Largaram essas crianças neste lugar minúsculo e foram passear no shopping. Como vou ler com tanto barulho!?
Enquanto isso, as crianças começaram uma guerra de almofadas no quarto do casal.
– Parem com esse barulho. Venham aqui.
Empurrando, chutando, esmurrando, xingando uns aos outros, chegaram na porta da saleta. Todas tentavam passar, ao mesmo tempo, pela porta.
– Silêncio!!! Sentem-se na mesa. Não em cima da mesa! Vocês vão quebrar o vidro e sua mãe me mata. Pelo amor de Deus, sentem-se nas cadeiras! Tudo bem. Agora silêncio! Só eu falo! O que vocês querem fazer além de destruir o apartamento e me deixar louco?
Gritando, falavam ao mesmo tempo:
– Quero ir ao Play Center, ao zoológico, Cidade da Criança, ao Parque da Mônica…
– Nem pensar! Eu não sou louco para ficar andando com seis crianças, cheias de energia, em parques enormes. Que tal um programa diferente?
– Qual?
– Acampar!!!
– Acampar???
– É. Vocês nunca acamparam? Mas não vamos a um camping cheio de confortos. Vamos acampar numa mata, sozinhos.
– Igual aos escoteiros, tio?
– Mais ou menos, Lucas.
– Vai ser legal, tio?
– Garanto que vocês vão gostar. Vamos fazer muitas coisas. Será divertido.
– Para onde vamos, tio? – perguntou Mayra.
– Você não vai – gritou Daniel.
[…]
José Cláudio da Silva. Pai, posso dar um soco nele?. Domínio público. Disponível em: <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ea000419.pdf> Acesso em: 21, fev. 2025
QUESTÃO 1
De acordo com o texto, que situação mudou os planos do narrador de passar trinta dias do mês de janeiro lendo?
QUESTÃO 2
Considerando o contexto da narrativa, há uma ironia em
(A) “A porta da sala bateu violentamente contra a parede”.
(B) “Todas falavam ao mesmo tempo. Exigindo seus direitos. Eram seis anjinhos”.
(C) “Enquanto isso, as crianças começaram uma guerra de almofadas”.
(D) “Vocês nunca acamparam? Mas não vamos a um camping cheio de confortos”.
QUESTÃO 3
Retirado do texto, há uma litote em
(A) “Tudo começou numa quarta-feira quente de janeiro”.
(B) “Sentem-se na mesa. Não em cima da mesa!”
(C) “Eu não sou louco para ficar andando com seis crianças”.
(D) “Mas não vamos a um camping cheio de confortos”.
QUESTÃO 4
Observe que o fragmento do texto se encerra com o surgimento de uma discussão entre os personagens Daniel e Mayra. O texto completo apresenta o desfecho desse diálogo. Agora, imagine uma continuação para ele. Como se resolveria essa discussão. Escreva uma pequena continuidade, visando resolver o embate entre os dois personagens. Para isso, empregue, pelo menos, uma ironia e uma litote.
QUESTÃO 5
As seguintes frases contêm ironias ou litotes. Desvende-as e preencha as palavras cruzadas.
- Essa foto não é feia.
- Você não é nada bobo, Davi!
- Excelente ideia! Vamos todos sair sem guarda-chuva.
- Adorei a festa, especialmente a parte em que ninguém aparece.
- Aquele rapaz é muito legal. Ainda bem que já foi embora.

Autoria: | Marlon Santos |
Formação: | Letras – Português |
Componente curricular: | Língua Portuguesa |
Conteúdo(s)/Objeto(s) de conhecimento | Figuras de pensamento |
Habilidade estruturante: | (EF89LP37) Analisar os efeitos de sentido do uso de figuras de linguagem como ironia, eufemismo, antítese, aliteração, assonância, dentre outras. |
Referências: | Documento Curricular para Goiás (DC-GO). Goiânia/GO: CONSED/ UNDIME Goiás, 2018. Disponível em: <https://cee.go.gov.br> Acesso em: 03, fev. 2024 |