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Ciências da Natureza – Evidências da evolução biológica

Esta proposta de atividade de Ciências da Natureza é destinada aos estudantes do 9º ano dos anos finais do Ensino Fundamental


Imagem 1. LANGE, Marcus. Dinosaur fossil on rough stone formation. Canva. Download em 28/02/2024.

EVIDÊNCIAS DA EVOLUÇÃO BIOLÓGICA

A vida na Terra é extremamente diversa, abrigando desde bactérias microscópicas até gigantescas sequoias e baleias. Se voltamos milhões ou até bilhões de anos no tempo, veríamos que os seres vivos eram bem diferentes do que conhecemos hoje. Essa mudança ao longo do tempo é explicada pela evolução biológica.

A Teoria da Evolução afirma que todos os seres vivos, atuais ou extintos, descendem de um ancestral comum e que, ao longo do tempo, novas espécies surgem por meio de processos, como a como a variabilidade e a seleção natural, levando à adaptação e diversificação das populações.

A evolução ocorre ao longo de gerações. No caso da seleção natural, descrita por Charles Darwin e Alfred Wallace, pequenas variações surgem nos organismos. Algumas dessas variações são neutras ou até letais, enquanto outras trazem vantagens que podem aumentar as chances de sobrevivência e reprodução. Quando essas características vantajosas são transmitidas às próximas gerações, elas se tornam mais frequentes na população. Esse processo pode levar à especiação: surgimento de novas espécies, à medida que grupos de organismos evoluem de forma independente.

A ciência apresenta diversas evidências da evolução. Entre elas, temos:

  • Os fósseis, que são vestígios de organismos preservados ao longo de milhares ou milhões de anos. Eles podem ser ossos, dentes, pegadas ou até mesmo partes moles conservadas em gelo, âmbar ou rochas sedimentares. Esses registros são fundamentais para entender como as espécies evoluíram e como eram os ambientes do passado. Os fósseis também fornecem informações sobre espécies extintas e ajudam a reconstruir a história da vida na Terra.
  • A anatomia comparada. Ao analisar os esqueletos de diferentes animais, é possível identificar padrões que indicam relações evolutivas. Algumas estruturas anatômicas apresentam origem comum, mesmo que tenham funções diferentes. Um exemplo são os membros anteriores de humanos, morcegos e baleias: todos possuem a mesma estrutura óssea básica, mas adaptada para atividades distintas, como manipular objetos, voar ou nadar. Essas estruturas são chamadas de homólogas e indicam que esses organismos têm um ancestral comum. Por outro lado, algumas estruturas podem ter funções semelhantes, mas de origens evolutivas diferentes. As asinhas de frango que comemos e as asas de insetos, por exemplo, são utilizadas no vôo, mas se desenvolveram de maneiras independentes na história evolutiva. Essas são chamadas de estruturas análogas e são um exemplo de convergência evolutiva.
  • Embriologia comparada: peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos passam por fases embrionárias semelhantes, apresentando estruturas que lembram brânquias (fendas branquiais) ou até mesmo caudas. Isso acontece porque esses grupos de animais têm ancestralidade em comum e, dessa maneira, os genes responsáveis ​​pelo desenvolvimento embrionário seguem padrões semelhantes. Com o avanço dessas etapas, cada espécie assume suas características próprias.
  • DNA (material genético) e semelhanças bioquímicas: Todos os seres vivos, desde bactérias até seres humanos, possuem DNA. Ele contém as instruções para o funcionamento das células e para a transmissão das características hereditárias. Além disso, o código genético é praticamente universal, o que significa que uma mesma sequência de DNA pode ser interpretada de forma semelhante por organismos completamente diferentes. Uma comparação entre o DNA de diferentes espécies mostra o grau de parentesco evolutivo. Nossa espécie, por exemplo, compartilha cerca de 98% do DNA com os chimpanzés, evidenciando um ancestral comum recente. Já a semelhança do nosso DNA com o de uma mosca ou de uma bactéria é bem menor, pois a separação evolutiva ocorreu há muito mais tempo. É importante frisar que, além do DNA, outras moléculas essenciais, como proteínas, também são muito semelhantes entre diferentes espécies, reforçando uma ancestralidade comum entre os seres vivos.

Diferentemente da seleção natural, que ocorre sem interferência externa, a seleção artificial acontece quando os seres humanos escolhem indivíduos com características desejáveis ​​para a reprodução. Esse processo acelerou a modificação de muitas espécies, resultando em variedades muito diferentes de seus ancestrais selvagens. A domesticação de cães é um exemplo clássico: os lobos foram selecionados ao longo de milhares de anos para originar as diversas raças de cães que conhecemos hoje, cada uma com características específicas de comportamento e aparência.

Na agricultura, o milho selvagem possuía espigas pequenas e pouco nutritivas, mas foi selecionado artificialmente para produção de grãos maiores e mais adequados ao consumo humano. Já no gado leiteiro, os animais que produzem mais leite são escolhidos para reprodução, aumentando a produtividade ao longo das gerações. Esses exemplos mostram como a ação humana pode modificar significativamente os organismos em poucas gerações.

Podemos, então, perceber que, embora muitas pessoas pensem que a evolução aconteceu apenas no passado, ela continua acontecendo o tempo todo. Certamente você se lembra das variantes do coronavírus, tão noticiadas dos tempos da pandemia. Os vírus, que sofrem mutações constantes, podem ao longo do tempo desenvolver novas variantes, mais contagiosas ou mais resistentes ao sistema imunitário. Ao se multiplicarem, passam essa resistência para as próximas gerações e, assim, com o tempo, as medidas até então adotadas deixam de ser eficazes contra essas populações resistentes.

Assista ao vídeo sobre as evidências da evolução biológica:

Vídeo 1. ARAGUAIA, Mariana. Evidências da Evolução Biológica. Youtube – Conexão Escola. Disponível em <https://youtu.be/7snM8HLdA2M>. Acesso em 07/03/2025.

RESPONDA ÀS QUESTÕES:

QUESTÃO 1

Faça a associação correta entre os conceitos e seus exemplos:

(1) Estruturas homólogas
(2) Estruturas analógas
(3) Fósseis
(4) DNA e bioquímica comparados
(5) Embriologia comparada


( ) Asas de morcegos e asas de insetos.

( ) Braço humano e nadadeira da baleia.

( ) Registro de um peixe pré-histórico em uma rocha sedimentar.

( ) Semelhanças genéticas entre humanos e chimpanzés.

( ) Presença de cauda em embriões humanos e de outros vertebrados.

QUESTÃO 2

Se todos os seres vivos compartilham o mesmo código genético, a grande diversidade de espécies é explicada no/na/nas

(A) presença de DNA semelhante, que impede a diversificação das espécies.
(B) variações na sequência dos genes e na forma como eles são ativados.
(C) código genético, que é completamente modificado em cada nova geração.
(D) seleção natural, fazendo com que os indivíduos tenham DNA idêntico.

QUESTÃO 3

Os fósseis são considerados uma das principais evidências da evolução biológica porque

(A) permitem reconstruir a história da vida, mostrando mudanças ao longo do tempo.
(B) são sempre idênticos aos organismos atuais, provando que as espécies não mudaram.
(C) demonstram que as espécies surgiram simultaneamente no passado e são inalteradas.
(D) são registros de animais extintos, apresentando dados sobre os animais do futuro.

QUESTÃO 4

O fato de embriões de peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos apresentarem fendas branquiais, em estágios iniciais do desenvolvimento, sugere que

(A) esses grupos de animais pertencem à mesma espécie e mantêm características idênticas na fase adulta.

(B) todos esses organismos possuem brânquias na vida adulta, independentemente do ambiente em que vivem.

(C) possuem um ancestral comum, e a embriologia comparada revela semelhanças no desenvolvimento inicial.

(D) essas semelhanças embrionárias ocorrem por acaso, sem relação com a evolução biológica das espécies.

QUESTÃO 5

Os humanos, os morcegos e as baleias possuem membros anteriores com estruturas ósseas semelhantes, apesar de usarem essas estruturas para funções muito diferentes. Tratam-se de órgãos

(A) pareados.
(B) evoluídos.
(C) homólogos.
(D) análogos.

QUESTÃO 6

As asas dos morcegos e as asas dos insetos desempenham a mesma função: permitir o voo. No entanto, ao analisarmos a estrutura óssea e a origem evolutiva dessas asas, percebemos que elas surgiram por caminhos evolutivos diferentes. Esse é um exemplo de

(A) estruturas análogas que desempenham a mesma função, mas têm origens diferentes.
(B) divergência evolutiva: essas estruturas são homólogas herdadas do mesmo ancestral.
(C) mutação espontânea, pois surgiu ao acaso e sem qualquer relação com a evolução.
(D) adaptação estimada, pois todas as estruturas surgem independentemente das outras.

QUESTÃO 7

Uma análise de DNA entre diferentes espécies demonstram que os seres humanos compartilham 98% do material genético com os chimpanzés. Esse fato indica que

(A) chimpanzés evoluíram diretamente dos seres humanos, sendo nossos descendentes mais próximos.

(B) seres humanos e chimpanzés são duas espécies diferentes de macacos, assim como o orangotango.

(C) humanos e chimpanzés possuem um ancestral comum recente na história evolutiva de cada espécie.

(D) as semelhanças no DNA não são uma evidência confiável para estabelecer relações evolutivas.

QUESTÃO 8

Na imagem abaixo está uma notícia fictícia lida por Phelipe: um estudante do nono ano do Ensino Fundamental:

Imagem 2. ARAGUAIA, Mariana. Notícia superbactéria. Canva. Criado em 28/02/2025.

Considerando não se tratar de uma fake news, explique como pode ser possível o surgimento de “superbactérias” e a relação dessas com o “uso racional de antibióticos”.

QUESTÃO 9

Imagine que você tem o poder de modificar um organismo para trazer um benefício à sociedade.

A) Qual seria esse organismo e qual característica você modificou. Por quê?
B) Esse seria um exemplo de seleção artificial ou natural? Explique sua resposta.

QUESTÃO 10

As semelhanças bioquímicas entre diferentes seres vivos indicam que

(A) todos eles surgiram de forma independente, sem ancestralidade comum.

(B) o código genético é idêntico para todas as espécies, sem variações.

(C) todos os organismos têm um ancestral comum e mantêm essas semelhanças.

(D) só os vertebrados têm essas semelhanças, por terem maior complexidade.


Autoria:Profa Ma Mariana Araguaia
Formação:Ciências Biológicas
Componente curricular:Ciências da Natureza
Objeto de conhecimento:Conceito de evolução em linhagens biológicas
Habilidade:(EF09CI10-A) Definir evolução, identificando as evidências do processo evolutivo: fósseis, anatomia comparada, embriologia comparada e semelhanças bioquímicas.
Referências:CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá Mais Ciências: 9º ano. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2018.

GOIÁS. Documento Curricular para Goiás – Ampliado. Volume III. Ensino Fundamental – Anos Finais. Disponível em https://sme.goiania.go.gov.br/site/index.php/institucional/documentos-oficiais-2/category/27-documentos-gerais. Acesso em 28/02/2025.

______. Documento Curricular para Goiás – Ampliado – Cortes Temporais. CONSED; UNDIME, 2019. p. 143. Disponível em . Acesso em 28/02/2024.

HIRANAKA, Roberta Aparecida Bueno; HORTENCIO, Thiago Macedo de Abreu. Inspire Ciências: 9º ano. 1. ed. São Paulo: FTD, 2018.

RAMOS, Flavio Nunes; HASUI, Érica; CUNHA, Rogério Grassetto T.; SILVA, Vinícius Xavier. Eco-evolução Podcast #68 – Evidências da seleção natural 2. Laboratório de Ecologia de Fragmentos Florestais ECOFRAG – Unifal-MG. Disponível em https://www.unifal-mg.edu.br/ecofrag/eco-evolucao-podcast-68-evidencias-da-selecao-natural-2/. Acesso em 28/02/2025.

SIMEONE, Alexandre Santos; TEIXEIRA, Gledison Eric. Resenha do Livro “A Emergência dos Sistemas Biológicos: Uma Visão Molecular sobre a Origem da Vida” —Simbiose Molecular e Complexidade Evolutiva. Revista Cientifica UMC. Disponível em https://seer.umc.br/index.php/revistaumc/article/view/2065/1482. Acesso em 28/02/2025.