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Ciências da Natureza – Dinâmica do clima e alterações antrópicas

Esta proposta de atividade de Ciências da Natureza é destinada aos estudantes do 8º ano dos anos finais do Ensino Fundamental


Imagem 1. SCIENCE Photo Library. Deforestation. Canva. Download em 17/12/2025.

DINÂMICA DO CLIMA E ALTERAÇÕES ANTRÓPICAS

O clima corresponde ao conjunto de condições atmosféricas que predominam em uma região, por longos períodos, tais como temperatura média, regime de chuvas, ventos e umidade do ar. Essas condições resultam da interação entre diversos fatores naturais, como a radiação solar, a circulação atmosférica, a latitude, a altitude, além da presença de oceanos e da cobertura vegetal.

Ao longo da história do planeta, ocorreram mudanças climáticas naturais, provocadas por fatores como variações na órbita da Terra, mudanças na inclinação do eixo terrestre, intensa atividade vulcânica e períodos de glaciações. Durante as eras glaciais, por exemplo, grandes áreas do planeta foram cobertas por gelo, enquanto em outros períodos a Terra apresentou temperaturas médias maiores que as atuais.

Essas mudanças aconteceram lentamente, ao longo de milhares ou até milhões de anos. Porém, nas últimas décadas, tem sido observado um aumento acelerado da temperatura média global, associado principalmente às ações antrópicas, ou seja: às atividades humanas. Um marco importante desse processo foi a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, quando a produção industrial passou a utilizar intensivamente combustíveis fósseis para gerar energia. A partir desse período, o uso de carvão mineral, petróleo e gás natural se expandiu, acompanhado do crescimento das cidades, da industrialização, do aumento do transporte motorizado e da expansão agropecuária.

Os principais combustíveis fósseis utilizados são o carvão mineral, o petróleo e o gás natural. Eles se formaram ao longo de milhões de anos a partir da decomposição de matéria orgânica soterrada. Quando queimados para a produção de energia, liberam gases para a atmosfera, principalmente dióxido de carbono (CO₂), além de óxidos de nitrogênio (NOₓ), dióxido de enxofre (SO₂) e pequenas quantidades de metano (CH₄).

O grande problema dessa emissão está no fato de que alguns desses gases, especialmente o CO₂ e o CH₄, são gases de efeito estufa. Eles se acumulam na atmosfera e dificultam a dissipação do calor irradiado pela superfície terrestre, intensificando o efeito estufa natural. Como consequência, ocorre o aquecimento global, caracterizado pelo aumento da temperatura média do planeta e pela alteração do equilíbrio térmico da Terra.

Além disso, gases como o SO₂ e os óxidos de nitrogênio contribuem para a poluição do ar, podendo formar chuvas ácidas, que prejudicam a vegetação, os solos, os corpos d’água e a saúde humana. Dessa forma, a queima de combustíveis fósseis não apenas agrava as alterações climáticas, mas também afeta a qualidade de vida das populações e a saúde dos ecossistemas.

As alterações climáticas provocadas pela ação humana geram impactos ambientais, sociais e econômicos. O aumento das temperaturas intensifica a evaporação da água, altera o regime de chuvas e favorece eventos extremos. Períodos prolongados de seca, por exemplo, comprometem o abastecimento de água e a produção de alimentos; e chuvas intensas em curtos intervalos aumentam o risco de enchentes e deslizamentos. Além disso, a elevação do nível do mar ameaça áreas costeiras e a redução da biodiversidade ocorre enquanto consequência, pois muitas espécies não conseguem se adaptar às rápidas mudanças ambientais.

É importante frisar que esses efeitos se manifestam de forma desigual. O avanço das queimadas, a intensificação de secas e enchentes e a crise hídrica afetam diretamente a produção agrícola, o abastecimento de água e a segurança alimentar. As populações mais vulneráveis (especialmente aquelas que vivem em áreas urbanas precárias, encostas, margens de rios e/ou regiões com pouca infraestrutura) são as mais expostas aos riscos climáticos, como alagamentos, deslizamentos e ondas de calor. Dessa forma, as alterações climáticas aumentam ainda mais as desigualdades sociais.

Diante desse cenário, torna-se evidente que as respostas às alterações climáticas também dependem de decisões humanas, especialmente políticas e econômicas. A forma como a sociedade produz energia, ocupa o território, consome recursos e organiza as cidades influencia diretamente a intensidade dos impactos climáticos e a capacidade de enfrentá-los.

O uso de fontes de energia renováveis, como a solar e a eólica, diminui a dependência de combustíveis fósseis e também contribui para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa. A recuperação de áreas degradadas, como florestas e matas ciliares, fortalece a capacidade dos ecossistemas de absorver dióxido de carbono e ajuda a regular o clima local, sendo importante frisar que a conservação dos oceanos também contribui, inclusive mais intensamente, para a absorção de CO2.

O incentivo ao transporte coletivo e não motorizado reduz a poluição do ar e melhora a qualidade de vida nas cidades, especialmente em áreas densamente povoadas. Já o uso racional dos recursos naturais e o consumo consciente diminuem o desperdício e a pressão sobre os ecossistemas, reduzindo a necessidade de extração contínua de matérias-primas e de expansão de áreas produtivas.

Essas ações são reforçadas por acordos internacionais, como o Acordo de Paris, de 2015, que estabelece metas para a redução das emissões de gases de efeito estufa e o compromisso dos países em limitar o aumento da temperatura média global a bem abaixo de 2°C, em comparação com os níveis pré-industriais e, idealmente, limitar a 1,5°C. Para isso, os países participantes se comprometem a adotar metas de redução de emissões e promover a transição energética para fontes renováveis. Porém, o cumprimento dessas metas depende das decisões políticas, econômicas e tecnológicas adotadas por cada país. A dificuldade em reduzir essas emissões rapidamente evidencia os desafios de aliar desenvolvimento econômico, justiça social e conservação ambiental.

Além do Acordo de Paris, outras iniciativas internacionais e regionais têm sido adotadas, como as Conferências das Partes (COPs) da Organização das Nações Unidas (ONU), que reúnem governos, cientistas e organizações para avaliar os progressos e definir novas estratégias no combate às mudanças climáticas. A Agenda 2030, também da ONU, igualmente estabelece os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável), com destaque para o ODS 13, que visa combater as mudanças climáticas e seus impactos:

Imagem 2. ARAGUAIA, Mariana. ODS 13. Canva. Criado em 15/12/2025.

As alterações climáticas não são um problema distante, tampouco um desafio somente para o futuro. Elas já influenciam o cotidiano, a economia, a saúde e a organização dos territórios. Nesse sentido, enfrentar a crise climática envolve diversas frentes, como o desenvolvimento científico e tecnológico, a responsabilidade social, ações políticas eficazes, além de decisões individuais e coletivas orientadas pelo bem comum.

RESPONDA ÀS QUESTÕES:

QUESTÃO 1

O clima de uma região é definido principalmente por

(A) condições atmosféricas observadas ao longo de um mês ao ano.
(B) eventos extremos isolados, como tempestades ou ondas de calor.
(C) condições atmosféricas médias identificadas por longos períodos.
(D) mudanças repentinas na temperatura ao longo de um mesmo dia.

QUESTÃO 2

Entre os gases liberados pela queima de combustíveis fósseis, aqueles que mais contribuem para o efeito estufa intensificado são o

(A) oxigênio e nitrogênio, por serem abundantes na atmosfera.
(B) dióxido de carbono e metano, por reterem calor na atmosfera.
(C) dióxido de enxofre e ozônio, por refletirem radiação solar.
(D) vapor d’água e gás hélio, por aumentarem a umidade do ar.

QUESTÃO 3

O efeito estufa se torna um problema ambiental quando

(A) impede totalmente a entrada de radiação solar na atmosfera.
(B) ocorre naturalmente, mantendo o nosso planeta Terra aquecido.
(C) é intensificado pelo acúmulo excessivo de gases como o CO2.
(D) provoca a diminuição significativa da temperatura média global.

QUESTÃO 4

Explique, com suas próprias palavras, o que diferencia o clima do tempo atmosférico, utilizando um exemplo do cotidiano para ilustrar sua resposta.

QUESTÃO 5

As mudanças climáticas naturais ocorreram ao longo de milhões de anos. Cite dois fatores naturais responsáveis por essas mudanças e explique por que elas aconteciam de forma mais lenta do que as atuais.

QUESTÃO 6

A Revolução Industrial é considerada um marco importante nas alterações climáticas atuais porque

(A) promoveu equilíbrio entre crescimento urbano e conservação ambiental.
(B) estimulou o uso de fontes de energia renováveis, como solar e eólica.
(C) intensificou a queima de combustíveis fósseis para geração de energia.
(D) reduziu o uso de recursos naturais não renováveis, em escala global.

QUESTÃO 7

A conservação dos oceanos é importante no combate às mudanças climáticas porque

(A) reduz a formação de chuvas ácidas em áreas continentais.
(B) diminui a circulação atmosférica global, diariamente.
(C) contribui significativamente para a absorção de CO2.
(D) elimina completamente a emissão de gases de efeito estufa.

QUESTÃO 8

Em muitas cidades brasileiras, enchentes e ondas de calor afetam mais intensamente moradores de áreas periféricas. Explique por que os impactos das alterações climáticas não atingem todas as pessoas da mesma forma.

QUESTÃO 9

O Acordo de Paris pode enfrentar dificuldades para atingir seus objetivos principalmente porque

(A) não reconhece a existência do efeito estufa e mudanças climáticas.
(B) depende de decisões políticas, econômicas e tecnológicas dos países.
(C) limita o crescimento econômico dos países ricos e em desenvolvimento.
(D) exclui a participação de estudiosos, cientistas e universidades.

QUESTÃO 10

O texto afirma que as respostas às alterações climáticas dependem de decisões políticas e econômicas. Cite uma decisão governamental que pode contribuir para enfrentar a crise climática e justifique sua escolha.

FAÇA VOCÊ MESMA(O)

Imagine que sua escola deseja contribuir para o ODS 13 – Ação Climática.

A) Proponha duas ações concretas que poderiam ser implementadas no ambiente escolar.

  • Ação 1:
  • Ação 2:

B) Explique como cada uma ajudaria a enfrentar as alterações climáticas.

C) Faça o croqui de um cartaz que tenha como objetivo engajar a comunidade escolar na participação dessas ações. Lembre-se da importância de que ele seja chamativo, informativo e também sucinto. Use sua criatividade!


Autoria:Prof.ª M.ª Mariana Araguaia
Formação:Ciências Biológicas
Componente Curricular:Ciências da Natureza
Objeto(s) de conhecimento:Dinâmica do clima e alterações antrópicas.
Habilidades:(EF08CI14-C) Identificar a influência das ações antrópicas nas alterações climáticas.(EF08CI16) Discutir iniciativas que contribuam para restabelecer o equilíbrio ambiental a partir da identificação de alterações climáticas regionais e globais provocadas pela intervenção humana.
Referências:CARNEVALLE, Maíra Rosa. Araribá Mais Ciências: 8º ano. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2018. Acesso em 15/12/2025.

DAHER, Valquíria. As mudanças climáticas já afetam nossas vidas. Ciência Hoje. Disponível em <https://cienciahoje.org.br/artigo/as-mudancas-climaticas-ja-afetam-nossas-vidas/>. Acesso em 15/12/2025.

G1 Vale da Paraíba e Região. Temperaturas máximas aumentaram em até 3ºC em algumas regiões do Brasil em 60 anos, diz INPE. G1. Disponível em https://g1.globo.com/sp/vale-do-paraiba-regiao/noticia/2023/08/17/temperaturas-maximas-aumentaram-em-ate-3oc-em-algumas-regioes-do-brasil-em-60-anos-diz-inpe.ghtml. Acesso em 17/12/2025.

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HIRANAKA, Roberta Aparecida Bueno; HORTENCIO, Thiago Macedo de Abreu. Inspire Ciências: 89º ano. 1. ed. São Paulo: FTD, 2018. Acesso em Acesso em 15/12/2025.

MARENGO, JOSÉ A. Mudanças Climáticas Globais e
seus Efeitos sobre a Biodiversidade. Caracterização do clima atual e definição das alterações climáticas para o território brasileiro ao longo do século XXI. Ministério do Meio Ambiente. Disponível em http://mudancasclimaticas.cptec.inpe.br/~rmclima/pdfs/prod_probio/Livro2_completo.pdf. Acesso em 17/12/2025.

MIRANDA, Lucas; BARROS, Geovani. Aquecimento global: um vilão nada fictício. Ciência Hoje. Disponível em <https://cienciahoje.org.br/artigo/aquecimento-global-um-vilao-nada-ficticio/>. Acesso em 15/12/2025.

NAÇÕES Unidas Brasil. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Disponível em <https://brasil.un.org/pt-br/sdgs>.Acesso em 15/12/2025.