{"id":132152,"date":"2021-09-24T17:02:40","date_gmt":"2021-09-24T20:02:40","guid":{"rendered":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/?post_type=ensino_fundamental&#038;p=132152"},"modified":"2024-05-13T20:14:47","modified_gmt":"2024-05-13T23:14:47","slug":"lingua-portuguesa-genero-conto-o-enredo-de-um-povo","status":"publish","type":"ensino_fundamental","link":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/ensino_fundamental\/lingua-portuguesa-genero-conto-o-enredo-de-um-povo\/","title":{"rendered":"L\u00edngua Portuguesa &#8211; G\u00eanero conto: o enredo de um povo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-black-color has-vivid-green-cyan-background-color has-text-color has-background\" style=\"font-size:25px\">Ol\u00e1, estudante! Esta videoaula de L\u00edngua Portuguesa para o&nbsp;<strong>7\u00ba ano do Ensino Fundamental<\/strong>&nbsp;foi veiculada na TV no dia&nbsp;<strong>31\/08\/2021 (ter\u00e7a-feira)<\/strong>. Aqui no Portal Conex\u00e3o Escola, ela est\u00e1 dispon\u00edvel juntamente com a proposta de atividade.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"702\" height=\"395\" src=\"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/image1-5-e1632512585530.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-132153\" srcset=\"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/image1-5-e1632512585530.jpg 702w, https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/image1-5-e1632512585530-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 702px) 100vw, 702px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">https:\/\/pixabay.com\/images\/id-4203628\/ <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-cyan-bluish-gray-background-color has-text-color has-background\" style=\"font-size:25px\">O g\u00eanero liter\u00e1rio conto surgiu da tradi\u00e7\u00e3o oral, desde tempos remotos em que o ser humano sequer tinha inventado a escrita. Com o passar do tempo e com advento da escrita, esse g\u00eanero foi ganhando forma e caracter\u00edsticas particulares, colocando em evid\u00eancia a cultura e os valores de um povo. Estude, nesta aula, o g\u00eanero conto e algumas de suas caracter\u00edsticas. Bons estudos!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-light-green-cyan-background-color has-text-color has-background\" style=\"font-size:25px\">Assista agora a videoaula do professor Marlon Santos com a tem\u00e1tica&nbsp;<strong>g\u00eanero liter\u00e1rio conto.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<p class=\"responsive-video-wrap clr\"><iframe title=\"7 Ano - L\u00edngua Portuguesa - G\u00eanero Conto: O Enredo de Um Povo\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/FpTULEOi320?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Certamente, voc\u00ea j\u00e1 deve ter lido diversos contos: alguns engra\u00e7ados, outros de terror; alguns bem realistas e outros no mundo das fadas, da fantasia.&nbsp; Acontece que h\u00e1 diversos tipos de conto, porque tamb\u00e9m h\u00e1 diversas formas de contar, n\u00e3o \u00e9 verdade?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">A origem do conto est\u00e1 justamente na transmiss\u00e3o oral de fatos, ver\u00eddicos ou n\u00e3o, que v\u00e3o se repetindo de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. J\u00e1 ouviu aquele ditado \u201cquem conta um conto, aumenta um ponto\u201d? Pois \u00e9&#8230; Foi bem dessa forma que muitos contos foram se cristalizando no imagin\u00e1rio coletivo e resistindo ao tempo. Desde a origem humana, antes mesmo do surgimento da escrita, o ser humano transmite oralmente suas cren\u00e7as, valores e sabedorias por meio de narrativas. Por mais de dois mil anos, as diversas civiliza\u00e7\u00f5es contam e recontam hist\u00f3rias, que podem ir sendo modificadas por seus novos contadores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Com o advento da escrita, o ato de narrar acontecimentos evoluiu da oralidade para o registro escrito. Mas, \u00e9 s\u00f3 na Idade Moderna, em meados do s\u00e9culo XV, que o conto se consolida como literatura.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido falar nos Irm\u00e3os Grimm e at\u00e9 lido contos de fadas com a autoria atribu\u00edda a eles. Os Irm\u00e3os Grimm s\u00e3o dois irm\u00e3os alem\u00e3es que entraram para a hist\u00f3ria como folcloristas e por suas colet\u00e2neas de contos infantis. Eles coletaram mais de 150 contos da tradi\u00e7\u00e3o oral da Alemanha. Ouviam as hist\u00f3rias nas comunidades e as registravam. Em 1812, lan\u00e7aram o primeiro volume \u201cContos de Fadas para o Lar e as Crian\u00e7as\u201d, em nossa l\u00edngua.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Vejamos, existe uma diferen\u00e7a entre colher narrativas e criar narrativas. H\u00e1 uma grande import\u00e2ncia em registar essas transmiss\u00f5es culturais orais para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es, mas nem tudo que contamos \u00e9 cria\u00e7\u00e3o nossa, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Por isso, a defini\u00e7\u00e3o de o que \u00e9 conto, \u00e9 bastante t\u00eanue. Muitos estudiosos tentam conceituar esse g\u00eanero, por\u00e9m, a habilidade de contar hist\u00f3rias possui muitas peculiaridades, caracter\u00edsticas que v\u00e3o sendo mudadas de cultura para cultura. Desse modo, uma pessoa contadora de hist\u00f3ria, comumente, explica qual \u00e9 sua vis\u00e3o sobre o conto e a arte de contar hist\u00f3rias, ora mais autoral, ora mais coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Cora Coralina, contista, poetisa e doceira da Cidade de Goi\u00e1s \u2013 GO, foi uma autora que resolveu contar \u201cest\u00f3rias\u201d que se encontram com a sua hist\u00f3ria e a de seu povo. Leia, a seguir, um texto em que a autora fala sobre o conto:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-pale-cyan-blue-background-color has-text-color has-background\" style=\"font-size:25px\"><strong>Nada Novo&#8230;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Ressalva. O conto \u00e9 uma modalidade liter\u00e1ria ingrata e n\u00e3o raro surpreendente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Quando acreditamos, ufanos, que sua motiva\u00e7\u00e3o, seu pequeno enredo seja original de uma cidade, e nossa a primazia de o contar, vemos com surpresa que outras cidades tamb\u00e9m reivindicam o mesmo assunto e que outros contistas j\u00e1 garimparam na lavra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Conclu\u00edmos, portanto, que o enredo seja de toda parte e de todos que escrevem, ressalvando apenas o estilo de cada um e os recursos pr\u00f3prios de quem escreve e conta. Por isso nos resguardamos dos ju\u00edzos apressados.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-black-color has-pale-cyan-blue-background-color has-text-color has-background\" style=\"font-size:15px\">CORALINA, Cora. Est\u00f3rias da Casa Velha da Ponte. 14 ed. S\u00e3o Paulo: Global, 2014.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Voc\u00ea observou o que Cora Coralina fala a respeito do conto? Uma modalidade liter\u00e1ria que sempre surpreende, que origina-se no cotidiano de uma cidade e o contador tem a gra\u00e7a, a primazia de contar essas hist\u00f3rias que nascem no meio do povo. \u00c9 assim em cada cidade, em cada povo, mesmo quando os temas s\u00e3o parecidos. Sobre isso, ela diz que o enredo est\u00e1 em toda parte, mas o estilo de quem conta e escreve confere singularidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Mesmo com esse leque de possibilidades de escrita e conta\u00e7\u00e3o de narrativas, \u00e9 poss\u00edvel listar caracter\u00edsticas comuns nos contos. Veja a seguir:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-white-background-color has-text-color has-background\" style=\"font-size:25px\"><strong>Caracter\u00edsticas do conto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul style=\"font-size:25px\" class=\"has-black-color has-light-green-cyan-background-color has-text-color has-background wp-block-list\">\n<li>H\u00e1 diversos tipos de contos: realistas, populares, fant\u00e1sticos, de terror, de humor, infantis, psicol\u00f3gicos, de fadas;<\/li>\n\n\n\n<li>Em s\u00edntese, o conto \u00e9 um texto curto em que um narrador conta uma hist\u00f3ria desenvolvida em torno de uma situa\u00e7\u00e3o que d\u00e1 origem aos acontecimentos de uma narrativa;<\/li>\n\n\n\n<li>Em geral, h\u00e1 poucos personagens e poucos locais, at\u00e9 porque a hist\u00f3ria \u00e9 breve, o que dificulta a presen\u00e7a de muitos lugares e personagens diferentes;<\/li>\n\n\n\n<li>Sua estrutura costuma ser composta por quatro partes: apresenta\u00e7\u00e3o do enredo, desenvolvimento dos acontecimentos, momento de tens\u00e3o &#8211; cl\u00edmax, e solu\u00e7\u00e3o &#8211; desfecho. \u00c9 importante ressaltar que nem todos os contos possuem um desfecho fechado (como o conto de fadas e o \u201cfelizes para sempre\u201d), com a resolu\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o. H\u00e1 contos que terminam com algum elemento surpresa e sem explica\u00e7\u00e3o ou resolu\u00e7\u00e3o;<\/li>\n\n\n\n<li>O tempo do conto costuma ser marcado, isto \u00e9, pode-se saber em que momento a hist\u00f3ria acontece. Esse tempo pode ser cronol\u00f3gico (quando as coisas acontecem numa sequ\u00eancia normal, de horas, dias, anos) ou psicol\u00f3gico (quando as coisas n\u00e3o acontecem em outra sequ\u00eancia, mas de acordo com a imagina\u00e7\u00e3o do narrador ou de um personagem);<\/li>\n\n\n\n<li>Assim como o tempo, o enredo pode n\u00e3o ser linear. Essa possibilidade e tantas outras, associa-se ao estilo de quem escreve;&nbsp;<\/li>\n\n\n\n<li>O narrador do conto pode ser personagem, observador, onisciente&#8230; n\u00e3o h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es para essas vozes que organizam a narrativa.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\"><strong>Tipos de conto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<ul style=\"font-size:25px\" class=\"has-black-color has-pale-cyan-blue-background-color has-text-color has-background wp-block-list\">\n<li><strong>Contos realistas<\/strong>: narram situa\u00e7\u00f5es realistas e n\u00e3o imagin\u00e1rias.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Contos populares:<\/strong> narram hist\u00f3rias transmitidas de uma gera\u00e7\u00e3o para outra.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Contos fant\u00e1sticos:<\/strong> apresentam mistura de realidade com fic\u00e7\u00e3o e confundem os leitores com acontecimentos absurdos.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Contos de terror:<\/strong> narram hist\u00f3rias cheias de mist\u00e9rios, suspense e medo.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Contos de humor:<\/strong> contam hist\u00f3rias que t\u00eam como objetivo divertir os leitores.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Contos infantis<\/strong>: apresentam hist\u00f3rias para crian\u00e7as que, geralmente, t\u00eam a inten\u00e7\u00e3o de transmitir uma li\u00e7\u00e3o moral.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Contos psicol\u00f3gicos:<\/strong> envolvem lembran\u00e7as e sentimentos, al\u00e9m da inten\u00e7\u00e3o de levar o leitor a refletir.<\/li>\n\n\n\n<li><strong>Contos de fadas:<\/strong> s\u00e3o os que come\u00e7am com \u201cera uma vez\u201d e terminam com um \u201cviveram felizes para sempre\u201d, al\u00e9m de envolver pr\u00edncipes e princesas e se desenvolvem em torno de um acontecimento tr\u00e1gico, mas que t\u00eam um final feliz.<\/li>\n<\/ul>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Os Minicontos, Microcontos ou Nanocontos s\u00e3o subcategorias do conto, chamados de &#8220;contos minimalistas&#8221;. Eles s\u00e3o bem menores que o conto, podendo ocupar meia p\u00e1gina, uma p\u00e1gina, ou ser formado por poucas linhas. Mesmo que n\u00e3o compartilhem da estrutura b\u00e1sica dos contos, esse tipo de texto tem adquirido diversas formas na atualidade, sobretudo ap\u00f3s o movimento modernista. Dessa forma, ele deixa de lado a estrutura fixa narrativa, privilegiando assim, a liberdade criativa dos escritores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Leia, a seguir, um conto de Leo Cunha.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-luminous-vivid-amber-background-color has-text-color has-background\" style=\"font-size:25px\"><strong>O sabi\u00e1 e a girafa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<strong>O sabi\u00e1<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sabia que o sabi\u00e1 sabia assobiar? Dizia o meu av\u00f4.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sabia que o sabi\u00e1 sabia avoar? Avoa, v\u00f4, avoa. E de ave ele entendia. Mas o sabi\u00e1 da minha hist\u00f3ria n\u00e3o sabia avoar. Assobiar ele sabia. Mas, que mais batesse as asas, o sabi\u00e1 n\u00e3o subia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Avoa, s\u00f4, avoa! O pobre n\u00e3o decolava. Pulava l\u00e1 do galho, aterrissava na bacia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;N\u00e3o desistia o sabi\u00e1. Saltava, ca\u00eda, pulava, ca\u00eda, tentava, ca\u00eda. Sabi\u00e1 na bacia. \u00c0 toa, s\u00f4, \u00e0 toa. Todo mundo at\u00e9 ria, mas no fundo j\u00e1 sabia: o sabi\u00e1 n\u00e3o sabia avoar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Vivia a assobiar seu apetite: comer o ar, caber no ar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Passar por cima das casas, das ruas, das gentes, do medo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Passar de passarinho, passear devagarinho, sem pra onde nem caminho. \u00c0 toa, \u00e0 toa, a esmo. S\u00f3 queria mesmo avoar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Sonhos tamb\u00e9m havia. Asas arranhando a barriga das nuvens, voos atravessando a manh\u00e3 vazia. Mas, entre as trapa\u00e7as da brisa, o sabi\u00e1 n\u00e3o sa\u00eda.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Assobiava que eu nem te conto. Antes, o canto de tenor, a cor na noite escura. Depois, o canto de temor, a dor da falta de altura. Cantava que eu nem te canto, o sabi\u00e1 desencantado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Dias de sonhos rasantes, noites de sono arrasado. Mas ele, ressabiado, teimava em assobiar. Dorremifava macio, no galho ou na bacia, o desejo de avoar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Um dia, o sabi\u00e1 dizia, um dia eu consigo avoar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\"><strong>A girafa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Girafa o meu av\u00f4 n\u00e3o conheceu. Nunca teve o prazer, n\u00e3o foi apresentado. Mas o velho deitado dizia: filho de peixe, peixinho \u00e9.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Isso vale pra outros bichos. Girafa tamb\u00e9m \u00e9 sempre igual.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Nada fala, tudo espia. Sem um pio, sem um fio de voz. S\u00f3 em riso e pensamento, ironiza o mundo no andar de baixo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mas a girafa da minha hist\u00f3ria era muito diferente. A muda queria mudar. N\u00e3o o mundo, mas a vida. Queria enganar o sil\u00eancio que lhe esganava a garganta. Queria encolher a dor de n\u00e3o escolher as palavras. Queria desemudecer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E n\u00e3o bastava soltar umas palavras no vento. Tamb\u00e9m sonhava em cantar. Sonhava encantar o dia, molhar as tardes de poesia, melar o canto da noite com doces melodias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Prestava aten\u00e7\u00e3o no trov\u00e3o, no temporal, na ventania.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Tentava imitar o azul\u00e3o, o rouxinol, a cotovia. Mas a voz n\u00e3o derramava. Ent\u00e3o reclamava baixinho: para que tanta altitude, pra cantar s\u00f3 passarinho?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A girafa andava injuriada. Andava toda a cidade, do alto dos seus andares, adorando a paisagem. Mas ficava na saudade o canto de homenagem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Um dia, jurava a girafa, um dia eu consigo cantar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\"><strong>O sabi\u00e1 e a girafa<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O encontro se deu por acaso, por acaso o deus dos encontros.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O sabi\u00e1 resolveu chorar no alto de um p\u00e9 de caju. A girafa se lamentava no baixo daquele p\u00e9. Uma \u00e1rvore muito esquisita, mas desgosto n\u00e3o se discute.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Estavam os dois ali. Os dois no mesmo p\u00e9. Ela vendo o que n\u00e3o cantava. Ele cantando o que n\u00e3o conhecia. Ele queria saltar nas alturas. Ela sonhava assaltar partituras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;E a dupla melancolia \u2013 ou foi a natureza? \u2013 tratou de cruzar os caminhos. A sabedoria do vento mandou o sabi\u00e1 pro espa\u00e7o. Pra ver se ele avoava. Pra ver se acertava o compasso, o sabi\u00e1 avoado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Mas ele caiu de cabe\u00e7a na cabe\u00e7a da girafa. Sil\u00eancio. Sabi\u00e1 assustado. Contudo, depois do susto, o coitado gostou do que viu. Cada passo da girafa passeava ele no c\u00e9u. Cada girada do pesco\u00e7o, um horizonte descoberto. E ele come\u00e7ou a cantar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;A girafa ficou fascinada. Aquela voz afinada soltou sua cara amarrada. Desfez a careta enfezada. Ofereceu ent\u00e3o moradia ao dono de tal melodia, de canto t\u00e3o doce e terno. E o canto do sabi\u00e1 virou o seu canto eterno.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;O sabi\u00e1 ficou morando na cabe\u00e7a da girafa. A girafa, namorando o canto do companheiro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;Minha hist\u00f3ria acaba aqui. Mas a dos dois continua, sem plateia nem juiz, depois do final feliz.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-black-color has-luminous-vivid-amber-background-color has-text-color has-background\" style=\"font-size:15px\">CUNHA, Leo. et aI.&nbsp;Meus primeiros contos, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001. p. 9-12. (Cole\u00e7\u00e3o Literatura em minha casa: 3.)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center has-black-color has-pale-pink-background-color has-text-color has-background\" style=\"font-size:25px\"><strong>Atividade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-black-color has-text-color\" style=\"font-size:25px\">Nessa aula, voc\u00ea aprendeu que os contos surgem, muitas vezes, da tradi\u00e7\u00e3o oral. Os Irm\u00e3os Grimm, por exemplo, colheram contos em uma dada regi\u00e3o da Alemanha. Agora \u00e9 a sua vez de colher contos. Fa\u00e7a isso no meio de sua fam\u00edlia. Procure alguma pessoa mais velha, mais experiente, e pe\u00e7a a ela que te conte alguma hist\u00f3ria para que voc\u00ea registre em seu caderno. Lembre-se de definir que tipo de narrador contar\u00e1 os fatos narrados, se ser\u00e1 de modo cronol\u00f3gico ou psicol\u00f3gico e da delimita\u00e7\u00e3o do lugar em que a situa\u00e7\u00e3o contada acontece. Bom trabalho!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-css-opacity\"\/>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-table\"><table><tbody><tr><td><strong>Habilidade estruturante<\/strong>:&nbsp;<\/td><td>(EF69LP44-B) Reconhecer, em textos liter\u00e1rios, formas de estabelecer m\u00faltiplos olhares sobre as identidades, sociedades e culturas, considerando a autoria e o contexto social e hist\u00f3rico de sua produ\u00e7\u00e3o.&nbsp;(EF69LP47-B) Perceber como se estrutura a narrativa nos diferentes g\u00eaneros e os efeitos de sentido decorrentes do foco narrativo t\u00edpico de cada g\u00eanero, da caracteriza\u00e7\u00e3o dos espa\u00e7os f\u00edsico e psicol\u00f3gico e dos tempos cronol\u00f3gico e psicol\u00f3gico, das diferentes vozes no texto (do narrador, de personagens em discurso direto, indireto e indireto livre), do uso de pontua\u00e7\u00e3o expressiva, palavras e express\u00f5es conotativas e processos figurativos e do uso de recursos lingu\u00edstico-gramaticais pr\u00f3prios a cada g\u00eanero narrativo.<\/td><\/tr><tr><td><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/td><td>CORALINA, Cora. Est\u00f3rias da Casa Velha da Ponte. 14 ed. S\u00e3o Paulo: Global, 2014 &nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ebiografia.com\/irmaos_grimm\/\">https:\/\/www.ebiografia.com\/irmaos_grimm\/<\/a>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.todamateria.com.br\/conto\/\">https:\/\/www.todamateria.com.br\/conto\/<\/a>&nbsp;<\/td><\/tr><\/tbody><\/table><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-cyan-bluish-gray-background-color has-background\" style=\"font-size:25px\">Professor, essa aula segue a Matriz Curricular das Habilidades Estruturantes 2021-2021. Foi elaborada no ano de 2020, com a suspens\u00e3o das aulas presenciais devido \u00e0 pandemia da Covid-19 e segue as orienta\u00e7\u00f5es de flexibiliza\u00e7\u00e3o curricular para o bi\u00eanio 2020\/2021 (Of\u00edcio Circular 147\/2020 Dirped).<\/p>\n","protected":false},"author":42,"featured_media":132153,"template":"","ef_categoria":[15,30],"ef_ano":[90],"ef_componente":[93],"class_list":["post-132152","ensino_fundamental","type-ensino_fundamental","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","ef_categoria-ciclo-da-adolescencia-fg","ef_categoria-etica-e-cidadania-ciclo-da-adolescencia-fg","ef_ano-7o-ano","ef_componente-portugues","entry","has-media"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-json\/wp\/v2\/ensino_fundamental\/132152","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-json\/wp\/v2\/ensino_fundamental"}],"about":[{"href":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-json\/wp\/v2\/types\/ensino_fundamental"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-json\/wp\/v2\/users\/42"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-json\/wp\/v2\/ensino_fundamental\/132152\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":182568,"href":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-json\/wp\/v2\/ensino_fundamental\/132152\/revisions\/182568"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-json\/wp\/v2\/media\/132153"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=132152"}],"wp:term":[{"taxonomy":"ef_categoria","embeddable":true,"href":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-json\/wp\/v2\/ef_categoria?post=132152"},{"taxonomy":"ef_ano","embeddable":true,"href":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-json\/wp\/v2\/ef_ano?post=132152"},{"taxonomy":"ef_componente","embeddable":true,"href":"https:\/\/sme.goiania.go.gov.br\/conexaoescola\/wp-json\/wp\/v2\/ef_componente?post=132152"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}